sexta-feira, 15 de abril de 2011

Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem
 nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo 
passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. 
Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as 
minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem 
algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento 
total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua
 a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que 
encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.
Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.

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